pensando sobre… #1 – Dia da Consciência Negra

20 de Novembro, Dia Nacional da Consciência Negra.
 

Data polêmica, carregada de controvérsias. Justiça ou injustiça?  Por que não existir um “Dia da Consciência Branca”?

Celebrada desde a década de 60, porém só recentemente centro de destaque, o Dia da Consciência Negra ocorre no aniversário de morte de Zumbi, líder do maior quilombo do Brasil, o Quilombo dos Palmares. Visa à apreciação e valorização da comunidade negra, tão forte e influente no Brasil. Mas até que ponto a data não é uma exclusão, ou apenas mais uma desculpa para inventar um novo feriado no calendário?

Pensemos no percusso histórico do negro, que já foi considerado menos do que um ser humano, um ser sem alma e sem valor. Pensemos em sua perseverança, quando lutou contra os senhores que os escravizaram, unindo-se, fortalecendo-se, e nunca deixando os seus valores enquanto cultura ou enquanto povo se perder. Pensemos em quantos apelidos e/ou ofensas ele ainda tem de ouvir, quando vira ponto de referência, “Tá vendo aquele nego ali? Você vira à esquerda…”

Comparados às outras nações que vieram a compor o mosaico cultural do Brasil, em sua maioria européia, portanto branca, os negros ainda são os que mais são excluídos do resto da população, por maior que seja a sua presença na mesma. Qual seria, então, a diferença entre um italiano que se orgulha de sua nação de origem, e de um negro que bate no peito e tem orgulho de sua raça? Por que somos tão convictos em gritar “PROTESTO!” quando um negro veste a famosa camisa “100% negro”? Estaríamos nós tão presos em nosso egocentrismo de “Se ele pode, eu também posso”, que simplesmente decidimos ignorar o fato de que não, os negros não são iguais aos brancos, não possuem as mesmas oportunidades, e sofrem preconceito sim?

A camisa não diz “Negro é melhor do que branco”. Isso não necessariamente condiz com o fato de que alguns dos usuários assim agem, mas de qualquer forma, não é o que ela diz. O que ela transmite é um sentimento de orgulho, de aceitação. Um tapa metafórico na sociedade que se diz liberal e receptiva, os brasileiros que de forma alguma vão destratar algum gringo, mas que possui um vasto leque de ofensas raciais. Basta um equívoco e lá vem um “Não faz negrice!”, ou uma bicicleta que passa em um sinal vermelho e surge o “Tinha que ser preto!”. O raciocínio às vezes nem ocorre, o insulto já é inato. Culpa de quem? Da criação? Da sociedade? Por que a população branca é tão defensiva e prefere apontar o dedo para os negros quando eles resolvem se dar o auto-valor?

Ou talvez nos ofendemos porque visamos a uma igualdade entre as raças, e o mero remetimento a nossas diferenças nos distancia mais ainda. Perante a vida, somos todos iguais, e devemos trabalhar e dar o melhor que podemos para que tenhamos uma boa condição de vida. E essa batalha diária é independente de cor, credo, ou local de origem. O ideal seria oportunidades iguais para todos, tratamento igual para todos, e uma chance irrevogável de demonstrar o nosso potencial. Seria uma interpretação equivocada da data, pensar no quanto ela nos distingue?

Não cabe a mim as respostas para as perguntas que propus. Podemos simplesmente dizer que a data pode servir para um exercício de auto-crítica, e repensar qual é o conceito de “preconceito”. O fato de a data ser um feriado/ponto facultativo não ajuda em muito esse exercício, faz com que ela pareça meramente comercial ou mero pretexto, mas a data existe e não pode simplesmente ser ignorada. Por que não fazer o melhor dela?

Levando a data em consideração, decidi elencar alguns de meus atores favoritos. Apesar de a maioria ser estrangeira, para não desvalorizar, há a presença brasileira também. Seus talentos, o marco de seus personagens e de suas vozes certamente dá a eles o valor que merecem, deixando muitos outros atores, loiros, morenos, latinos ou asiáticos, uma experiência a considerar e valorizar.

Gary Dourdan, o Warrick Brown da série original CSI: Crime Scene Investigation
Shemar Moore, o Derek Morgan de Criminal Minds
Denzel Washington, homem de vilãos e mocinhos e de talento inegável.
O carismático Lázaro Ramos, marco do talento brasileiro.
Advertisements

One thought on “pensando sobre… #1 – Dia da Consciência Negra

  1. Seu texto é maravilhoso, eu sou negra e acho absurdo toda a hipocrisia que ainda existe, principalmente por parte dos brasileiros, em relação ao racismo. As questões que você levantou deveriam ser colocadas em pauta, e não abafadas, como é feito no nosso país, que é extremamente racista e finge que esse problema não existe. O racismo está sempre presente, seja de forma sutil e sorrateira, através das piadinhas constantes e nos comentários sobre “gente bonita”(termo que é muito usado sempre pra quem tem cara de europeu), ou de forma mais arrebatadora, como na falta de oportunidades ainda gritante para os negros. Não se discute e é por isso que piora cada vez mais. Você disse muito, e ainda há muito a ser dito sobre essa questão.

    Beijos, e parabéns.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s