that one tv show #1 – Glee

GLEE
"Por sua própria definição, "Glee" consiste em abrir a mente para a felicidade"

Não sei ao certo o que me fez assistir a Glee. Sei que em certo ponto, ouvi falar da série e que estava fazendo sucesso, mas não sabia do que se tratava. Até que uma amiga, em seu twitter, postou a seguinte citação:

Garotas não têm próstatas – eu pesquisei.

Não é difícil imaginar a minha risada e meu interesse. Quando soube que era uma série sobre um tal Glee Club, que nada mais é do que um clube dedicado a musicais, soube que era a série para mim. Não faz muito tempo que descobri o quanto gosto de musicais – não assisti a muitos, mas o que assisti, gostei. Moulin Rouge, Hairspray, Across the Universe, Sweeney Todd, e, claro, O Fantasma da Ópera. Todos muito conhecidos, mas isso não os faz menos importantes. Não assisti e não pretendo assistir a Highschool Musical, mas apesar da aparente semelhança no fundo temático, decidi dar a Glee uma chance.

E ainda bem que o fiz.

O piloto parece em fastforward. Muita coisa acontece, e muita coisa acontece ao mesmo tempo, e acabei o episódio sem saber o nome de nenhum personagem além da Rachel. Apesar disso, foi uma viagem divertida.

Mas, afinal, do que se trata Glee?

Glee é, como eu já disse, uma série sobre um Glee Club. Temos Will Schuester, professor de Espanhol que tem uma afeição pelo clube por ter participado de um em sua adolescência. Quando o responsável pelo clube é demitido, Will pede ao diretor a direção do clube. Começam os testes para novos membros, e é quando conhecemos os personagens com quem futuramente estaremos muito familiarizados. Escolhidos os membros, começa o desafio: como transformar esses adolescentes que não tem aparentemente nada em comum em um grupo, e como tornar esse grupo em campeão na competição regional?

A princípio, Glee é tão cheio de esteriótipos que chega a doer. Temos as líderes de torcida, os jogadores de futebol americano que se assemelham a neandertais, os isolados, o garoto homosexual que é mais mulher do que qualquer outro personagem no seriado, a garota negra com o complexo de superioridade da raça, etc. Tudo é muito exagerado, mas é exatamente com o exagero que o seriado brinca.

Com o clube ameaçado por falta de membros, Will tenta buscar novas vozes na “elite escolar”. É claro que é brutalmente negado, seja pela responsável pelas cheerleaders, a formidável Sue Sylvester que tem a mão mais firme do que a de Hitler, ou pelo time de futebol que o ridiculariza. Para a escola, o Glee não é apenas o final da cadeia alimentar, mas seu subsolo.

É então que Will descobre o talentoso Finn, a voz masculina que complementa a diva Rachel. Está formado o Glee.

Mas o que seria de Glee sem música? Ryan Murphy, criador da série, que tem em seu currículo Popularidade e Nip/Tuck, sabe escolher. É obrigatória a presença de obras de musicais da Broadway, geralmente interpretadas por Rachel. Mas há um variado acervo de músicas, desde sucessos adolescentes recentes como Avril Lavigne e Chris Brown, quanto clássicos, como Queen e a música mais marcante até agora, Don’t Stop Believin’ da banda Journey. A escolha das músicas, combinada com a ótima performance dos personagens, torna  Glee acessível e divertido para seu público, seja ele jovem ou adulto.

E falando em personagens, são estes o centro de todos os holofotes. Não somente os óbvios, como Will, Rachel ou Finn, mas também os secundários. Kurt Hummel rouba toda cena em que aparece, com algumas das falas mais engraçadas e inteligentes da série. Sue é espetacular, seu cinismo e ódio por tudo e todos pingam de suas palavras, e que ninguém ouse arrancar dela uma resposta que a pessoa certamente não vai gostar de ouvir. O diretor de mão fechada, a conselheira institucinal e seu transtorno obsessivo-compulsivo, a esposa manipuladora e louca, todos os personagens pegam o seu esteriótipo e o elevam à décima potência, apropriando-se dele, modificam-do e transformando-o em características marcantes que fazem de cada personagem próprio.

Rachel Berry
"Você pode rir porque sempre que escrevo meu nome eu coloco uma estrela dourada ao lado, mas é uma metáfora e elas são importantes. Minhas estrelas douradas são uma metáfora por eu ser uma estrela."

Rachel Berry é a garota que adoramos odiar. Não sei se o meu problema com ela é algum tipo de projeção, mas há momentos em que não aguento ouvir sua voz e há momentos em que ela faz jus ao seu papel de protagonista. É inegável, porém, o talento de Lea Michele, a atriz por trás da diva. Sua voz é espetacular, e parece se encaixar nos mais diversos tipos de música, ou assim fazem os produtores que dão a Rachel uma infinidade de papéis principais na maioria das músicas do seriado. Mas apesar de ser forçada garganta abaixo da audiência, Rachel é certamente carismática com seus ataques de estrela pop. A cena no primeiro episódio, em que canta com Finn pela primeira vez, é clássica. Lea Michele transforma Rachel em uma histérica, egocêntrica, mas infeliz garota que só quer fazer do Ensino Médio algo inesquecível, ao invés do detestável a que se submete todos os dias.

Finn Hudson
"Foi nesse momento que decidi que faria qualquer coisa para que minha mãe sentisse orgulho de mim."

Finn… Não sei como Rachel consegue gostar dele sem se sentir involutariamente como uma pedófila condenada, visto sua mentalidade de cinco anos de idade. Inocente  e por vezes estúpido, Finn é aquele que mais consegue superar seu esteriótipo original. Apesar de seu passado triste, Finn é muito mais positivo e alegre do que muitos outros personagens adolescentes que fazem esse período da vida parecer uma novela mexicana. Finn tem crises comuns para sua idade, de pertencimento, sobre o futuro, e também de prioridades. Tudo isso faz com que ele seja o personagem mais sincero depois de Rachel, incluindo nisso todas as besteiras que acaba por fazer. Finn tem 16 anos e não sabe se o mais importante é ser jogador de futebol e deixar sua mãe orgulhosa, se mantém a popularidade ou se cai no buraco dos perdedores do coral, se ama verdadeiramente uma garota ou se fica com uma por obrigação. No final, Finn quer tudo, mas é em seu crescimento que a série foca, e todos torcemos para que ele escolha o certo, porque nós também queremos que nossas escolhas sejam certas.

O que não entendo em Finn é por que todos ajem como se sua voz fosse a salvação do clube. Certamente, sua voz não é a melhor. Artie, o garoto de cadeira de rodas, possui uma voz muito superior, e até Cory Monteith, ator que interpreta o rapaz, já confessou que nunca tinha cantado antes. Ainda me pergunto, apesar do talento de Cory, que tem 28 anos e interpreta um rapaz de 16 com mente de 5, por que o escolheram para liderar tantas músicas, junto com Rachel. Sua redenção de “It’s My Life” é um crime aos ouvidos dos fãs de Bon Jovi, e a maioria das suas apresentações são um marco da vergonha alheia. O máximo que podemos esperar é que os outros personagens, com talentos iguais ou superiores, consigam ser o centro das atenções também, de vez em quando.

Will Schuester

Por fim, temos Will, cuja única certeza é de que ele ama o Glee. Mas esse é o único amor em que ele se garante. Entre o amor pela esposa a que está preso através dos laços do matrimônio, a atração pela conselheira cujos olhos brilham toda vez que se encontram, e todos os problemas que enfrenta como professor, Will é muitas vezes questionável e confuso. Até que ponto está desempenhando seu papel como professor? Até que ponto não está impondo seus próprios sonhos perdidos nos seus alunos? Até que ponto há limites nas relações que tem com os outros? Will é tão confuso quanto os adolescentes que ensina, e muitas vezes seu caminho é iluminado por aqueles que o cercam. Mas Will é cativante, com uma ótima voz e movimentos de dança que fariam Justin Timberlake chorar, e ele consegue desempenhar seu verdadeiro papel: guiar seus alunos a seus sonhos, através da música. E isso, Will faz muito bem. Só esperamos que ele faça as escolhas certas, assim como tenta com o Glee. Mas o que seria de um seriado se tudo fosse flores?

O certo é que Glee é divertido, engraçado, histérico, com momentos de vergonha alheia e clichês, mas ainda assim, é um seriado sobre a descoberta de si mesmo regado a muita música. E com certeza, em todos esses quesitos, não decepciona.

Abrace seu loser interior com Glee!

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